SAÚDE
MINDFUL EATING, UM OLHAR “COMPREENSIVO” PARA A NUTRIÇÃO
   
No Dia do Nutricionista, Letícia Guzzo, fala sobre atenção plena

Por Divulgação
31/08/2020 09h13

Para falar de Mindful Eating inicialmente temos que falar de Mindfulness (traduzido em português como atenção plena). Quando se fala em Mindfulness nos referimos ao estado mental de vivenciar o momento presente, o que acontece aqui e agora. Mindfulness é uma habilidade inata do ser humano, no entanto, podemos cultivá-lo, por exemplo, através das práticas meditativas.

 Mindful Eating se refere ao comer com atenção plena, cultivar a consciência do que envolve o ato de comer, é estar no momento presente, é estar consciente do corpo, dos pensamentos e das sensações, é sentir os aromas, texturas e sabores dos alimentos sem julgamentos e críticas. É conseguir reconhecer e diferenciar quando se está com fome ou com vontade de comer, se é uma fome física ou emocional/psicológica (nutrir ou nos confortar), é saber a hora exata de parar de comer (saciedade), isso vai muito além de prestar atenção na hora da refeição, comendo devagar e sem distrações.

É importante reconectar-se com a sabedoria do corpo, algo que perdemos com a correria do dia a dia, desta forma ficamos menos responsivos aos fatores externos como “Comer sempre que estou triste ou entediado”, “Comer porque está no horário ou porque eu acho que deveria” “Evitar certos tipos de alimentos e depois comer demais quando me permitir a comer”, “me sinto muito culpado toda vez que como algo que julgo inadequado ou proibido”.

Os benefícios dessa prática começam em voltar a sentir e explorar novos ou antigos sabores dos alimentos, isso ajuda muito a reduzir os episódios de compulsão alimentar, auxilia também no processo de emagrecimento, embora não seja o principal foco. Com a prática conseguimos entender a quantidade certa e o tipo de comida que nosso corpo está “pedindo”.

O que se percebe hoje é que o indivíduo com excesso de peso sofre uma pressão da mídia, sociedade e dele mesmo em torno do peso, o que pode gerar grande sofrimento. E ao travar uma verdadeira batalha para a perda de peso, sofre com baixa autoestima e pelo estigma social a que estão sujeitos. Em resposta a isso o indivíduo entra períodos de restrição alimentar. A literatura demonstra que a restrição alimentar por períodos aumenta os episódios de consumo exagerado e o comer desinibido, em outras palavras, ao ficar restringindo o consumo de alguns alimentos acabamos por não aguentar por muito tempo e ao comê-los, comemos demais. Nos aproximamos da máxima “Restrição gera o comer exagerado”. E ao vivenciar esse ciclo adiciona-se a culpabilização do indivíduo e perpetuação do discurso “Só eu não consigo ”, “Eu não tenho força de vontade”, “ Só quando tiver aquele peso que serei feliz”, o que soma no sofrimento do mesmo (Centro Brasieleiro de Mindful Eating)

Mindful eating é essencial para quem almeja mudança de comportamento alimentar, não é dieta, não defende padrões estéticos e alimentares, promove a saúde e a bondade consigo próprio, com isso temos a oportunidade de reconhecer o prazer de comer e nutrir-se, de maneira natural e mais adequada as nossas necessidades. E celebrar a diversidade natural dos corpos pois todos são merecedores de autocuidado compassivo.

   

  

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