SAÚDE
Outubro Rosa: Histórias para refletir
   
Todos os anos, 66 mil brasileiras descobrem o câncer de mama

Por Assessoria de Imprensa
13/10/2020 08h54

Como é encarar o mais incidente e a primeira causa de morte por câncer entre as mulheres no Brasil? Aline do Carmo, Eloena Rissardo e Tanara Ganzer compartilham suas histórias de luta contra o câncer de mama. Mais de 66 mil brasileiras por ano descobrem que terão que enfrentar a doença e cerca de 17 mil acabam morrendo. Dados alarmantes e que reforçam a importância da prevenção. Uma das campanhas mais importantes na área da saúde, que visa a conscientização para o controle do câncer de mama, ocorre neste mês: é o Outubro Rosa.

Sino da vitória: o som da superação

A luta da professora universitária, Aline do Carmo, 43 anos, publicitária, iniciou no final de março deste ano. A descoberta do nódulo foi por acaso. “Em setembro do ano passado, fiz todos os exames de rotina e deu tudo certo. No final de março deste ano, estava assistindo TV, quando percebi um caroço na parte superior da mama esquerda. Foi por acaso, não tenho o costume de fazer o autoexame. Se o nódulo tivesse mais interno, de repente, eu não teria sentido”, comentou Aline.
 
Ela procurou seu médico, realizou a biópsia e recebeu a notícia. “Era um câncer grau três, que se multiplica muito rápido. Em maio, retirei o tumor e, em junho, iniciei as quimioterapias. A sorte que foi descoberto no início, que é mais fácil tratar”, revelou.
 
Para enfrentar o câncer, Aline buscou se informar muito sobre a doença. Mãe de duas crianças, uma de sete e outra de nove anos, a preocupação e o medo foram inevitáveis. Chorou muito, teve efeitos colaterais do tratamento, mas não levou a careca tão à sério e nunca desistiu. “Tem uma frase de Winston Churchill que diz: ‘Se você está atravessando o inferno, continue atravessando’. E é assim. Tem que tentar passar por isso da forma mais leve possível. É importante continuar. Tem dias que você vai chorar, vai se sentir debilitada, mas não pode parar. Tem que manter um otimismo”, incentivou Aline.
 
Ela realizou a última sessão de quimioterapia no final de setembro e tocou o sino, que sinaliza vitória para pacientes que superam uma doença. “É um alívio muito grande tocar o sino. A última quimio é um alívio, uma emoção muito grande. Os medicamentos têm cada vez menos efeitos, mesmo assim é um processo muito pesado, a quimio judia muito da pessoa. Então, a última quimio é uma sensação de liberdade”, declarou Aline, que realizou oito sessões de quimioterapia e entrará em outra fase do tratamento nas próximas semanas.
 
“Se eu tivesse feito os exames de prevenção, de repente, nada disso estaria acontecendo”
A Eloena Catarina Rodrigues de Andrade Rissardo, de 59 anos, percebeu um nódulo no seio há cerca de quatro meses e demorou para procurar um médico. “Percebi o nódulo e levei mais dois meses para fazer os exames. A gente só pensa em trabalhar, se preocupa só com os outros, vai deixando pra amanhã, acha que não é nada, que é algo simples, nunca pensa que é algo sério. Não me preocupei comigo”, comentou.
 
Há muitos anos ela não fazia exames de rotina. “Se eu tivesse feito os exames de prevenção, de repente, nada disso teria acontecido”, declarou Eloena, que está realizando sessões de quimioterapia e, posteriormente, fará a cirurgia para retirada do nódulo.
 
Eloena incentiva as mulheres a não deixarem a saúde para depois. “Agora a coisa mudou. Tenho que cuidar da minha saúde e incentivar os outros também. As mulheres precisam procurar um médico. Não esperem. Eu deveria ter ido há muito tempo e não fui. Façam os preventivos, a mamografia, não deixem pra depois. É melhor prevenir”, enfatizou.
 
“Descobri em mim uma outra pessoa, uma Tanara linda, que usa peruca, e que é mais feliz do que antes”
A professora Tanara Ganzer, 39 anos, psicopedagoga, descobriu o nódulo em um exame de rotina em agosto de 2019. Em seguida, fez a mamografia e a biópsia e, então, desconfiou que não era algo simples. Tanara recebeu a notícia que ninguém quer. “Quando recebi o diagnóstico positivo foi um misto de sensações. Os olhos se encheram de lágrimas, o coração acelerou e um turbilhão de dúvidas surgiram em questão de segundos. A primeira pergunta que consegui fazer ao médico foi: E agora o que eu faço?”, indagou Tanara, que teve os pensamentos invadidos por outros questionamentos. “A pergunta que não quer calar é sempre a mesma: Será que eu vou morrer assim, tão nova, tão linda, sem ter vivido meus sonhos e realizados meus projetos?”, questionou ela.
 
Ela passou por mais de 15 sessões de quimioterapia, uma cirurgia para retirada do nódulo, e ainda teve que enfrentar uma infecção por citomegalovírus, caso considerado raro dentro de um tratamento oncológico, que provocava febres três vezes ao dia e fez Tanara ficar internada por mais de um mês. O caso dela chegou a ser discutido em fóruns internacionais.
 
Tanara, que neste momento, faz tratamento preventivo, por meio de quimio-oral, revela que se tornou ainda mais forte pós-câncer. “Descobri em mim uma outra pessoa, uma Tanara linda, que usa peruca, e que é mais feliz do que antes. O câncer deu uma reviravolta naquilo que estava estagnado. Eu já era uma grande mulher, mas agora sou muito mais. Digo pra vocês, que estão passando por um tratamento, que sejam fortes e batalhem pela felicidade. Peço às mulheres que procurem o seu médico sempre. A saúde é fundamental. O resto a gente corre atrás”, declarou a professora.
 
Prevenção é essencial
O oncologista do Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN), Dr. Alex Seidel, destaca que a prevenção primária do câncer de mama está relacionada ao controle dos fatores de risco conhecidos e à promoção de práticas e comportamentos considerados protetores. “Os fatores hereditários e os associados ao ciclo reprodutivo da mulher não são, em sua maioria, modificáveis. Porém, fatores como excesso de peso corporal, inatividade física, consumo de álcool e terapia de reposição hormonal, são, em princípio, passíveis de mudança”, destacou Seidel.
 
A mamografia é o exame recomendado para diagnosticar o câncer de mama precocemente e reduz a mortalidade em 20%. A faixa etária mais acometida é entre 50 e 65 anos, mas a partir dos 40 anos o índice já começa a ser significativo. “Recomendamos a mamografia, para mulheres de risco habitual, a partir dos 40 anos de idade até os 70 anos. A partir daí, deve-se considerar individualmente o risco e benefício. Para mulheres com alto risco para desenvolver câncer de mama as recomendações baseiam-se no risco individual”, salientou o também oncologista do CTCAN, Dr. Alvaro Machado.
 
Região Norte do RS registra cerca de 120 mortes por ano
No Rio Grande do Sul, são registradas cerca de 1,3 mil mortes por ano, cerca de 13 mil nos últimos 10 anos (2008-2018), conforme dados do DataSUS. Na macrorregião Norte do estado, são cerca de 120 mortes por ano, aproximadamente 1,2 mil mortes em uma década.


 

   

  

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